| Honda Deauville 650 |
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Enquanto conversava com o proprietário de Stand acerca do problema de travões da minha X9, não conseguia tirar os olhos de cima de uma mota que por trás me fazia lembrar a Pan European. Olhava para o preçário e pensava "ainda é puxada". Em conversa com o proprietário, eu dizia-lhe "o que nós queríamos mesmo era "aquela" Pan mas....." e fui interrompido pelo proprietário dizendo-me este: "Mas aquela não é a Pan. É a Honda Deauville 650. É a irmá mais nova da Pan". De imediato fiquei interessado e quis experimentá-la. Como ainda tinha pouca prática, pedi a um funcionário que fosse experimentar com a minha companheira à pendura pois eu não confiava o suficiente em mim para o fazer. Após uma volta de cerca de 15 minutos, chegaram. Recebi o sinal de "aprovada" (polegar para cima) por parte da minha companheira. O seu primeiro comentário: "É esta mesmo." Era agora a minha vez de experimentar. Cerca de 15 minutos depois, regresso ao Stand e pedi à minha companheira para subir pois queria "sentir" a mota com ela. Cerca de 30 minutos depois voltámos. Encostei a Deauville, a minha companheira saíu, saí eu e perguntei ao proprietário do Stand:
"Por quanto fazemos o negócio? Quero-a e é já hoje". Esta, por motivos de já se encontrar reservada, não pode ser negociada. Mas eu já não pensava noutra coisa. Queria uma Deauville. Desse por onde desse.
Ela dava-me confiança. Sentia-me seguro. Sentia-me bem.
Consegui entretanto no fim de semana a seguir fazer o negócio com outro Stand. Tinha agora em mão aquela mota que viria a desenvolver realmente o gosto pelo passeio de mota.
Era uma mota bonita e as suas principais características eram:
- Consumo entre os 5,5 e os 7 (melhores e piores dependendo de velocidades e cargas) - Sistema de Travagem impecável - Confortável quer para o condutor, quer para o passageiro - Amplo espaço de arrumação (esta adicionalmente tinha as tampas das malas laterais largas) - Não muito pesada pois mesmo com a minha companheira em cima, manobrava-se muito bem
Fiz-lhe alguns melhoramentos para aumentar ainda mais o seu nível de conforto como: - Instalação de um sistema de intercomunicador para poder conversar com a minha companheira e ouvir musica em viagem - Banco conforto - "Risers" do volante - Alteração do encosto para o pendura e mais alguns....
Posso dizer que foi esta mota que fez de mim um Motociclista no real sentido da palavra. Com esta fiz A VIAGEM DA MINHA VIDA. Com esta conheci as pessoas que hoje fazem parte do meu circulo de amigos. Mas como tudo na vida tem um fim, também a Deauville chegou ao fim. Precisava de mais.
Este "mais" apareceu após 3 anos e 33.000 maravilhosos Km. Nunca fiquei na estrada, nunca me deixou ficar mal, nunca me decepcionou.
A Deauville, até ao momento, foi A MOTA DA MINHA VIDA.
As outras, ainda vão ter de o provar. Mas isso já é outra história.
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